No espaço vital de cada homem, a sua memória de grupo, tanto na ritualidade dos seus gestos como no conhecimento do seu meio, é muitas vezes condição primeira da sua própria sobrevivência. De uma memória que, afinal, é o cimento que distingue e robustece a coesão social, permitindo a cada indivíduo não só reconhecer-se como, sobretudo, identificar-se com os seus, com o sítio, com a terra, com o espaço cultural que o define.
Palácios e castelos, antes olhados apenas como símbolos de velhos e hostis poderes senhoriais são hoje elementos singulares da paisagem, pólos positivos de agregação e identificação local ou regional. Ruínas, sítios arqueológicos e mesmo artefactos do efémero lúdico recuperam outra dignidade, servindo muitas vezes de bandeira na resistência a uma indesejada massificação cultural.
Mértola é, historicamente, o centro agregador de todo um vasto território em que está incluído o Parque Natural. A partir do porto de Mértola, uma rede convergente de antigos caminhos ligava algumas dezenas de pequenos povoados, muitos deles hoje abandonados. Ao longo dos séculos, uma população de pastores, artesãos e almocreves articulou e urdiu uma linguagem de gestos e motivos ornamentais, aprendeu a construir com terra crua e cozida, em suma, juntou saberes que hoje identificam a sua memória e fazem parte do seu património.