Caracterizados que foram aqueles impactes, procedeu-se à realização de trabalhos de correcção de linhas perigosas para aves numa extensão de 85 km distribuídas ao longo do país e promover a adopção de tecnologias aplicáveis ao desenho e construção de novas linhas.
A divulgação dos resultados dos estudos realizados entre 2003 e 2005, assinalou o fim deste protocolo e o início de um novo que irá vigorar até 2008. Este dará continuação à realização dos estudos e aos trabalhos de compatibilização das linhas com as práticas de protecção da avifauna.
Resultados do Protocolo Linhas Eléctricas Aéreas e Avifauna em Portugal
A mortalidade de aves por electrocussão e colisão em linhas eléctricas de média e alta tensão tem sido alvo de numerosos estudos em diversos países. A minimização do impacto destas linhas aéreas de distribuição de energia sobre a avifauna tem justificado e reunido os esforços de empresas de energia eléctrica, das autoridades de conservação da natureza e de organizações não governamentais de ambiente.
Dada a ausência, até há poucos anos, de informação concreta sobre esta problemática em Portugal, relacionando as tecnologias mais usuais com as comunidades de aves do nosso país, foi definido, numa primeira fase, a prioridade de elaboração de um estudo nacional sobre o impacto das linhas aéreas de alta e média tensão sobre a avifauna.
Neste estudo foram consideradas 47 áreas incluídas em Áreas Classificadas, nomeadamente Áreas Protegidas e Zonas de Protecção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000 ou ainda em Áreas Importantes para as Aves (IBA), abrangendo, no total, uma área aproximada de 1.400.000 ha e de cerca de 900 km de linhas nas diferentes épocas do ano.
Como resultado foram detectados 1.599 cadáveres de 107 espécies de aves acidentadas nas linhas de média e alta tensão, tendo a morte por Colisão (51%) apresentado maior peso, face à atribuída à Electrocussão (49%).
Salienta-se o facto de aproximadamente 25% destas aves terem estatuto de ameaça, seja por critérios nacionais ou internacionais, destacando-se duas espécies classificadas como Criticamente Ameaçadas em Portugal (a Gralha-de-bico-vermelho e o Rolieiro) e seis Em Perigo (Garça-vermelha, Águia-real, Abutre-negro, Águia de Bonelli, Tartaranhão-caçador e Abetarda).
Decorrente do resultado dos estudos, foram identificadas 350 km de linhas de média e alta tensão (EDP) que mereceram a classificação de perigosas ou potencialmente perigosas, tendo havido lugar, ao longo do período de vigência do protocolo, à introdução de correcções em 85 km dessas linhas.
No âmbito deste primeiro protocolo iniciou-se também um estudo, também consultável neste site, sobre os movimentos de juvenis de Águia-real e Águia de Bonelli, recorrendo ao uso de técnicas de rádio seguimento via satélite, com vista a conhecer os seus padrões de dispersão e relacioná-los com o risco de electrocussão em linhas de média e alta tensão.
O Novo Protocolo
Este novo Protocolo, que tem naturalmente como objectivo dar continuidade às iniciativas de compatibilização da rede eléctrica com a conservação da avifauna, nomeadamente em Áreas Classificadas e IBA, prevê ainda alargar os estudos de impacte a áreas insuficientemente analisadas em trabalhos anteriores e onde a monitorização de correcções já introduzidas em linhas novas ou existentes o justifique. No entanto, dado o adiantamento da fase de caracterização desta problemática, o novo protocolo dará maior atenção às correcções das linhas aéreas mais perigosas para a avifauna. Prevê-se ainda a construção experimental de algumas infraestruturas de linhas aéreas utilizando novas tecnologias, consolidando o conhecimento sobre a dispersão de aves prioritárias e concluindo o processo iniciado no protocolo anterior.
À semelhança do anterior protocolo, está prevista a existência de uma Comissão Técnica de Gestão ou Acompanhamento do protocolo, que, integrando elementos de todos os Parceiros envolvidos, deverá reunir as experiências e conhecimentos recolhidos das diversas áreas envolvidas na implementação do protocolo.
Os encargos financeiros envolvidos no desenvolvimento das tarefas previstas ao longo deste protocolo e que rondarão os 600.000 Euros, são suportados pela EDP Distribuição. A capacidade de intervenção poderá ainda vir a ser reforçada num montante ainda não definido, pelo financiamento de um projecto transfronteiriço envolvendo as autoridades espanholas da Junta da Extremadura e co-financiado pela iniciativa comunitária INTERREG.
Protocolo Avifauna - Integração de Linhas >
Estudo sobre o Impacto das Linhas Eléctricas de Média e Alta Tensão na Avifauna em Portugal - Relatório técnico final >
Seguimento via satélite de 3 juvenis de Águia-real e 2 juvenis de Águia de Bonelli no Norte de Portugal >